E tudo acaba em ... - parte dois
De todos os conceitos e existências, a única imutável e totalmente é o tempo, certo? Não, é claro que não. Por mais global que possa parecer, o tempo tem contraditoriedades e falsas premissas. O primeiro e mais simples exemplo são os fusos-horários. Assim como o horário de verão, estas intituições puramente comerciais roubam do tempo sua universalidade e incluem nele a tontura de acordar à mesma hora que se foi dormir, por exemplo.O principal abismo criado pelo tempo são as convenções de calendários. O mundo ocidental há tempos largou o calendário gregoriano para adotar o juliano. A divisão é prática e exige apenas uma inclusão de um dia a cada quatro anos. O oriente, no entanto, nunca foi de seguir qualquer convenção que não a sua própria. Os chineses e japoneses estão muitos anos à nossa frente, tendo em vista que, assim como nós, eles baseiam-se em religião para contar seus anos. O problema é ter que conviver com dois calendários, duas línguas; viver em dois mundos. Qualquer homem japonês de negócios é obrigado a literalmente se desdobrar em dois, seu cérebro programado para ter o dobro de conhecimento.
Toda a discussão de globalização poderia ir muito mais longe, mas o ponto aonde quero chegar é simples. De todos os conceitos - tecnológicos ou culturais - já imaginados, qual simboliza mais corretamente a união entre povos, etnias, culturas e países? É simples. Nada representa mais a adoração mundial do que a verdadeira pizza. Sim, a pizza de comer. Sua história em si já é um exemplo da primeira globalização: um navegador italiano aventurou-se por terras à leste. Lá encontrou especiarias e uma receita de farinha, ovo, água e sal. Voltou à terra-mãe e mostrou aos chefs da bella cucina italiana como fazer a tal massa. Inventada especialmente para a princesa Margheritta, o prato levava queijo, tomate e manjericão, e tinha formato chato e redondo.
Levada por franceses até os Estados unidos, a pizza se popularizou ao longo dos séculos e instituiu a criatividade entre os mestres de cozinha. Doces, salgadas, exóticas ou rústicas, os muitos sabores de pizza são motivo de alegria.
É claro que a receita de massa e cobertura não é igual para o mundo todo. Mas a instituição do conceito 'pizza' é o que une muitas culturas. Tanto novaiorquinos famintos quanto russos no gélido inverno comem a mesma massa com queijo e salame. Tanto franceses quanto ingleses pedem - seja por chicken ou por polle. A única palavra que não sofre qualquer distorção idiomática, seja ela gráfica ou de pronúncia. Não é à toa que se diz que tudo acaba em pizza.
Não importa o nível de adoração por Oprah, todos comem pizza. Não importa seu nível de conhecimento da língua inglesa, todos adoram calabreza ou muzarela. Não faz a mínima diferença o ano e a hora; de 2005 à 4015, das dez às dez, não há quem não veja graça na simples receita japonesa/italiana.
Estamos todos, portanto, presenciando a globalização da pizza. É pizza pra todo lado. Não que isso seja ruim, é claro. Melhor empizzar tudo de uma vez, que ter de aturar a política econômica de abertura logística e incentivo à globalização corporativa - é tanta expressão que ninguém entende.
Sem querer desmerecer qualquer sistema de governo, qualquer instituiçao de respeito ou coisa que os valha, prefiro pizza à organização social. Embora ninguém concorde comigo, duvido quem não espera a sexta-feira para reunir a família e devorar "duas tamanho família". Enfim a pizza serve de união pra tudo e todos.
E que a minha venha sem alho.
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Leonard Ziesemer Schmitz
PS.: Na seqüência "E tudo acaba em ..." foram excluídos os casos de deficiência mental, onde os sujeitos eventualmente não gostam de pizza - Situação totalmente hipotética e impossível, afinal quem lê o blog é letrado, e letrado algum tem ignorância pra desgostar de pizza.
