sábado, março 05, 2005

E tudo acaba em ... - parte um

Vivemos em tempos de mundanças em crescimento geométrico. Há trinta anos as ciências engatinhavam lentamente para frente; hoje elas são corredoras de cem metros rasos. Isso tudo promove a tão badalada globalização corporativa, certo? A interdisciplinaridade entre todos os conhecimentos, a união dos conceitos milenares com as tecnologias recentes.

Na discrepância da relação Imagem/Conteúdo, temos a mídia como sistema controlador e autoritário. A diferença tende a aumentar, isto é fato. Poucos se safam. A maior personalidade da mídia mundial é Oprah Winfrey, negra, mulher, banal. Em seu talk show ela entrevista celebridades em um tom casual, como uma sala de estar doméstica. Sua simpatia e altruísmo fazem com que muitos a amem; criam fanclubes de adoração. Mas nem pra todos ela é assim. Há quem a odeie, a pragueje - em geral os tradicionais críticos intelectuais, que se vêem na obrigatoriedade de contrapor o que é a vontade das massas.

Partindo pra pontos bem mais abrangentes, temos o conceito de linguagem. Nunca uma língua foi tão difundida como hoje. No Japão, por exemplo, nove entre dez pessoas têm fluência suficiente para não passar fome em um país de língua inglesa. Na Europa a comunicação - seja ela para fins turísticos ou oficiais - é normalmente feita na língua nativa do país e em inglês.


Porém nem tal supremacia escapa de falhas, pois quem não tem conhecimento algum de inglês sofre com a exclusão. E há, como sempre, os nacionalistas que teimam em não dar o braço a torcer. Há alguns meses o instituto Itamaraty - que forma os diplomatas brasileiros - deixou de considerar o inglês idioma obrigatório para um diplomata; passou a apenas contar pontos extras, assim como o alemão, francês, italiano. Comparar tais línguas com o inglês é atestado de burrice! A desculpa dada foi infame: tais fatores estariam dando preferências à uma minoria elitista e excluindo os menos abastados. Mas não é exatamente isso que difere um diplomata de um simples bacharel em relações internacionais? Eu acho que é.


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