segunda-feira, dezembro 19, 2005

O folclore do Ho Ho Ho!

De todo o processo nostálgico que é relembrar tempos áureos da infância, ainda estou pra ver algo mais divertido que divagar sobre a inocência da criança que um dia fomos. Todo mundo já deixou de rir por alguma piada de duplo sentido, ou cantou Mamonas Asssassinas sem entender o que eles realmente queriam dizer.

E as mentiras em que acreditávamos? Veríssimo (o neto) diz que a primeira coisa que fez quando virou adulto foi comer manga com leite e não morrer. Eu não tive essa coragem. É claro que tudo não passava de história, mas ninguém sabia ao certo. Algum amigo tinha um parente cuja professora de primário havia morrido por comer leite com manga. Não seria eu quem desbancaria essa lenda.

De todas as mentiras do tipo "eu já sou grandinho pra saber da verdade, mas não tenho certeza", a mais antológica de todas é a misteriosa existência ou não do bom e velho São Nicolau. É, o senhor barrigudo e idoso, de barba e cabelos grisalhos e compridos, roupa e touca vermelhas. Quando chegamos aos seis, sete anos, sentimos por vontade espontânea que algo de estranho havia por ali. Um só Noel pra todas as crianças do mundo? - Claro que as que não se comportavam eram riscadas da lista, mas mesmo assim! Além disso, minha casa nunca teve chaminé e eu nunca soube aonde diabos as Renas ficavam estacionadas.

Com a passagem dos Natais, tínhamos todos a impressão de que poderia tudo ser uma grande mentira. Mas ninguém tinha certeza e, no alto de quase sete anos, nenhuma criança se daria o luxo de confessar a outro de sua idade sobre sua ignorância. Tudo indicava que ele não existia mas, no fundo, ninguém sabia mesmo.
Isso era o começo, a porta pra divagações individuais. Será que só eu disconfio que não tem Papai Noel coisa nenhuma? Acho que no fundo todo mundo é assim. Mas como alguém descobre isso sozinho? Será que os adultos não têm vergonha de perguntar uns pros outros? Vai que uns acham que sim, outros que não... Como eles se acertam?

No dia de Natal, a Mamãe pedia pra que os primos fossem todos brincar lá fora, que o Papai Noel ia passar pra deixar os presentes. O cara aparece uma vez por ano e ainda quer que ninguém o veja? Velho safado. Aposto que os adultos não precisavam sair, podiam assistir a tudo de perto.
No fim das contas, era fácil desvendar o mito: uma olhadela por entre as cortinas da sala resolveria. Todo mundo tinha a pulga atrás da orelha.

- Na verdade é a Mamãe e o Papai lá colocando os presentes embaixo da árvore. Eu sei!

Por segundos, havia uma pausa dramática. Ponderávamos o suficiente pra fazer o mais sensato: não olhar. Se tivéssemos tomado coragem, talvez encontraríamos o Bom Velhinho com um saco de presentes nas costas. Com uma mão ele retiraria um pacote aleatório e repassaria a uma ajudante de mais ou menos uns 1,30 de altura; a outra posta sobre o Lombar. Afinal de contas ele não era mais um jovem Noel e a coluna há muito havia se desgastado. São milhões de casas pra visitar, e tudo só hoje!

Poderíamos, no entanto, descobrir que realmente era a Mamãe e o Papai, e até seu tio Tuta, colocando os presentes ali no pinheirinho. E esse era o grande perigo. A cena seria esclarecedora durante os primeiros momentos. Passaria a desconfortante e acabaria no desespero da criança. Não haveria mais a surpresa, o encanto alegre e frívolo do Natal. A data seria reduzida a pacientemente esperar do lado de fora da casa, pacientemente cantar Noite Feliz; abrir os presentes e comer Peru com batata até não poder mais para, por fim, dormir insatisfeito.

Entretanto, nós não olhamos. Nós tivemos a chance de descobrir tudo, mas preferimos a incerteza. E foi bem melhor assim. Ainda há, na infantil cabecinha da gente, a possibilidade de vermos um senhor de idade procurando um trenó estacionado sabe-se lá aonde.

Leonard Schmitz
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Caramba, agora faz tempo. Ainda que eu postei algo bem flog da vida, mas há tempos não parava pra fazer um textículo pra cá. Foi agora com espírito festivo.
Obrigado desde já aos 1/2 leitores do blog. Comentem né!

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Fique em dia com o autor...

Desculpa, gente. Só abri aqui pra tirar o pó - contratei uma moça pra vir aqui com espanador e rodo, ela tá trabalhando lá no arquivo antigo e logo deixa tudo limpinho. Mas já que estou aqui, vou dar uma atualizada no conhecimento geral dos leitores sobre a vida de minha pessoa.

Faz mais de um mês desde o último post (27 de outubro), e eu fiquei com saudades de escrever. Vamos ao itinerário passado.:

Simulados, últimas provas, momentos de tensão e aulas pela manhã e à noite. Tudo isso já seria cansativo o suficiente, se ainda não houvesse os ensaios pra formatura por que eu passei.

Começando com a idéia de ser apenas um guitarrista de fundo, os exercícios de vocalização e 'interpretação' deixaram a todos mais confiantes e menos tímidos com o público. Na evolução natural do negócio, acabei por ser o único orador Homem dos seis (bendito fruto, eu..).

Com o texto dos professores em mãos, o esforço na atuação foi o suficiente e no fim das contas cantei a última música da formatura - Canção de Verão do Roupa Nova - e, quem diria, fui aplaudido como orador E como cantor. A alegria não poderia ser maior. E ainda toquei o hino nacional na guitarra... honra total.

A saudação dos professores depois foi motivo de muita felicidade. Todo mundo falando que eu tinha sido o bonzão (e, convenhamos.. eu sou o bonzão) .


Pra completar o pré-vestibular da Federal, fui aprovado no Cesusc. Iha. Algo de bom eu já tenho pro ano que vem. Mas a meta é justamente passar no vestibular da UFSC, começando domingo que vem.


Ufa. A tia da limpeza tá batendo no meu pé pra eu levantar o sofá e deixá-la varrer tudo. Posto um texto de verdade quando essa nóia acabar.

Beijos pra quem pode.