sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Revolução das Flores - parte 2

(pra ter a noção certa do texto, leia o penúltimo texto publicado, "Revolução parte 1" ok?)
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Por anos estiveram a força-bruta e as vontades machistas àcima de qualquer outra coisa, mas isso mudou. Já há algum tempo não há qualquer emprego onde uma mulher não esteja no comando. Perdemos para a organização, a sensatez e o perfume encantador do "sexo frágil" - Expressão abolida e proibida em publicações legais; corro risco de esquartejamento em praça pública, mas tudo bem.

Tudo correu bem por um ótimo tempo. Perdíamos nosso tempo vendo TV e provando todas as marcas de amendoim, elegendo as que mais combinam com cerveja. Uma série de infortúnios, porém, foi inevitável.

Congressos da ONU começaram a perder o sentido, quando por mais de duas horas discutiu-se as cores da nova e estilizada bandeira da UNESCO. Ficou-se em mortal dúvida sobre qual tom de fúscia utilizar (para homens leitores, consulte o guia de cores Anjo, entre tons púrpuras). A discordância entre as partes fez Espanha e Alemanha romperem ligações diplomáticas, e a União Européia sentiu o começo de seu fim. A Inglaterra passou perto de ser dividida em três, graças à indecisão quanto ao novo uniforme da Guarda Real da Rainha. Até hoje os guardas não têm notícias sobre a reestilização de suas vestimentas.

No Brasil as coisas não eram diferentes. O País parava às nove da manhã, pra acompanhar Mais Você na televisão. Por conta disso, o expediente se extendia até 20:00; o suficiente para chegar em casa e ver a novela após o jornal. Ministérios tiveram seus nomes trocados e as CPIs eram instauradas como trocava-se de roupa. Críticos econômico-políticos crêem que o estopim foi por volta da CPMI da tampa de privada levantada. Mas nada é muito certo.

O novo Mundo Cor-de-Rosa, que parecia tocar a perfeição com os dedos, enfrentava seu rápido declínio. Nas ruas, via-se novamente ternos e gravatas (com cara de quem estavam há muito tempo no fundo do armário) passeando, carregando malas e conversando alto ao celular. Os negócios da bolsa de valores foram lentamente voltando ao normal, após o veto da lei que dava exclusividade à transações entre Boutiques, Grifes e Perfumarias. Aos poucos, tudo voltou a ser ligeiramente mais cinza.

Os Estados Unidos, há vários anos em estado de Sítio, tinham suas ruas desertas e as famílias viviam com medo de uma guerra civil. A volta gradual dos homens ao poder fez voltar também ao funcionamento escolas e instituições públicas. Descobriu-se que, por mais de seis meses, tudo o que o país emitiu à França continha os dizeres "pelo menos somos cheirosas" como nota de rodapé, praticamente ilegível.

A reestabilização do mundo como um lugar menos caótico tomou tempo e fôlego, mas eventualmente ocorreu. Algumas empresas mantêm mulheres no comando, sob olhares de esguela dos funcionários. Muitas das chefes-de-Estado foram obrigadas a se retirarem da sociedade por alguns anos, dirigidas à casas de reabilitação. Geralmente um casarão atrás de altas montanhas perto da Capital do país. É fácil achar. É o prédio meio cor-de-rosa, meio verde-limão, com pichações de "porcos chauvinistas" por todas as paredes.

Leonard Schmitz

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(Valeu pela espera, leitores que cabem nos dedos das mãos. A segunda parte foi escrita em 15 minutos, então não saiu nada de muito tchãn. E ah.. obrigado mulheres, por serem tão lindas e divertidas.)

2 Comments:

At 12:02 AM, Anonymous Anônimo said...

Nada como um final feliz.
Perdi o meu sono algumas vezes pelo que estava acontecendo no texto 1.
hueahueahu

 
At 8:19 PM, Anonymous Anônimo said...

Peraí, esse não era o fim que você tinha me falado, era?
Acho que não.
Ficou legal, mas você esqueceu do "inteligentes" no fim.
Ali depois de lindas e divertidas.
hahaha

(Eu li metade do texto com a fonte mínima, minha cabeça dói :$)

Beijinho

 

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