Começo, meio e... - parte 2
Quem gostaria de ser imortal? Quem acharia graça em não ter noção real de tempo, já que o tempo não teria fim? Ou então este tempo sem fim seria a tal noção real de tempo, já que não haveria outra. Certo? Não temos como saber. Teríamos, isto é certo, vários ditados a menos pra contar."Não perca seu tempo" - Tempo perdido seria um conceito ultrapassado, ao meu ver. O tempo não se perderia, já que não teria pra onde ir. A não ser que as viagens por dimensões se tornassem reais, e isto é papo pra outra história.
"Não deixe pra amanhã o que você pode fazer hoje" - Hoje, amanhã, daqui há mil anos... Não interessa! Não existe premissa de fim, se realmente não há um fim!
Para os mais aficcionados: até a religião - sim, ela mesma - tem suas raízes fincadas nos pilares de salvação e paz pós-vida. A Igreja tem seu dinheiro e seus bens graças aos milhares de lugares no céu vendidos nos séculos passados. Há histórias de albergues divinos, inventados pro conforto dos novos cristãos, que cheios de alegria despejavam seus magros salários a fim de evitar as filas do purgatório. Mas isso também é papo pra outra história.
A psicologia explica o medo da morte como a consciência do fim das coisas boas da vida. O ser humano, no dado estado de evolução social, pensa sobre as vantagens apenas quando as perde - ou quando se vê encurralado a perdê-las. Caso fôssemos imortais, não haveria a consciência de morte, tampouco o conceito de aproveitar a vida. Teríamos mais tempo pra coçar o saco do que pra realmente fazer qualquer coisa.
Carpe Diem, é o que diz Robin Williams na sociedade dos poetas mortos. Aproveite o máximo do seu tempo. Mas se seu tempo não tem fim, como aproveitá-lo mais ou menos? O próprio tempo seria alargado até o perdermos de vista.
Como seria nossa evolução fisiológica? Talvez seríamos como o Highlander, adultos pra sempre. Talvez fôssemos envelheceno gradualmente, é o mais lógico. Mas logo não haveria mais espaço pra novas rugas no rosto, e o coração não poderia bater mais e mais devagar. De uma maneira ou outra, o fim é algo necessário.
Nossa obrigação vai muito além de nascer, crescer, nos reproduzir e morrer. Até porque a vida seria um pé no saco, se só pudéssemos fazer estas quatro coisas. Mas a cronologia envolve necessariamente um fim na vida de todo mundo. Então, que assim seja e que parem de reclamar. Se for pra discutir, ao menos que saiba o que diz!
Leonard Schmitz

1 Comments:
Zudo!
Um grande texto. Muito bom! A morte deveria ser mais "encarável" de fato.
Feliz Ano Novo!
AbraçoS!
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