quarta-feira, novembro 03, 2004

Do útil ao Fútil - parte 1

Com os tempos cada vez mais conturbados, fica difícil arranjar um tempinho pra descansar. Que diga um tempo pra ligar a TV e assimilar o conteúdo. Quando consigo tal façanha, porém, me divirto com minha própria infelicidade.

Um programa de três - é, três - horas de duração poderia explicar detalhadamente a história da conquista da Inglaterra pelos franceses, unificando a língua e criando um império de mais de mil anos; poderia detalhar a vida de Vitor Hugo e seus sucessores no trono gálico, não se importando com as minúcias - afinal o tempo está aí para evidenciá-las. Mas não. Ao menos não aqui. João Kléber - quem tem um nome desses? - comanda a espatafúrdia por natureza. Um pseudo escândalo mantido em segredo até a minutos do fim arrasta uma multidão de especatores sedentos por estupidez. As fórmulas pra enrolar tanto tempo são bem boladas, ao menos; é o que perguntaria o cidadão comum. O pior é que nem isso acontece. O famoso 'pára lá, pára tudo' é a constante do programa, interrompendo simulações e depoimentos. O alerta de que o que virá é forte parece ter sido posto no repeat. Sem contar que o conceito de "forte" precisa ser revisto.

O que me entristece é ver que até os programas infantis estão ligeiramente desfocados. A Xuxa, tadinha, está perdendo audiência por não saber atingir as crianças como deveria. Talvez ela esteja sendo mais esdrúxula do que o suportável. Por incrível que pareça, os limites cercam em ambos os lados.

É claro que qualquer um com um QI ligeiramente avançado vai tirar de letra: Nossa população não tem consciência pra aturar horas de história do império francês! Nosso povo não sabe a diferença entre Charles Dickens e Harper Lee! Nossa massa, querida massa, não gosta de ter um certo trabalho pra processar as informações, as esperando batidinhas e cortadas no liquidificador. Com leite, melhor ainda.

Um indivíduo que tenha o mínimo espírito crítico poderia me ajudar em uma questão. Porque se queixar da ignorância da população e mesmo assim continuar transmitindo fezes pela TV? Se não foi feito um projeto de culturalização há 30 anos, não é por isso que não vamos começar um! Alguém tem que arcar com as dificuldades de embarcar todos nessa jangada, não é mesmo?

O pior de tudo é ver que é até uma vergonha admitir ver certos programas. "Superpop? Em que canal é mesmo?" é pior que droga, já que nenhum grupo de amigos o encoraja a fazer e não há quem dê moral a quem se submete a tal queima de neurônios.
A má influência é uma injeção de valores invertidos que infelizmente nos toma tempo e ocupa cada vez mais espaço. Mas como diz o ditado: Se não podes vencê-lo, esperes o segundo round.

Pra quem gosta e pra quem sabe o que faz da vida, tem TV de todo jeito. De TV Cultura à RedeTV! tem de tudo, até do que não deveria ter. Ao tentar fazer da mídia brasileira algo um pouquinho melhor, me desaponto. Por enquanto então, provo do milk-shake diário de besteirol. Que venha sem açúcar, ao menos.

Leonard Schmitz

2 Comments:

At 10:04 PM, Anonymous Anônimo said...

3 comentários!!
1: Uma das frases mais inteligentes, sobre a TV, que alguém já falou: "As pessoas ligam a TV quando querem desligar o cérebro!" (Steve Jobs)
2: É claro que a massa é burra! Eles elegem o PT pro governo achando que vão mudar tudo! E ele muda! Todos os nomes dos programas!! Tudinho! Não deixou nenhunzinho com o mesmo nome!
3: Parecido com aqueles comentários inúteis e abomináveis que as pessoas deixam quando você comenta algo sobre o blog/flog dela (elas entram e dizem "brigado por comentar, vc é um anjo!!"), mas esta longe de ser isso! Fato é que, assim como você, conheco "algumas" pessoas que leem todas as minhas divagações. Não é preciso comentar, e, aliás, você nunca viu - nem verás - algo como "Comentem" no meu blog. E nem no seu! E é por isso que faço questão de acompanhar este!

Um grande abraço,
Rique

 
At 5:55 PM, Anonymous Anônimo said...

leo,
realmente, o brasil tenta provar sua importancia diante do mundo mas não consegue nem fazer um jornalismo decente!é um absurdo em um país com tantos necessitados (sem duplos sentidos) ligar a tv e ver pessoas se divertindo a custa do povo.
é lamentavel, mesmo.
:*

bruna

 

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