A flecha, a cruz, as cores
Parece que a versatilidade de um escritor é testada por sua ecleticidade. Vários gostos, várias funções - até aí todo mundo sabe. As peculiaridades de cada "setor" da língua escrita, porém, merecem respeito e tempo. Para tentar provar a vontade de expandir horizontes, uma rápida crítica automobilística.Não é todo ano que se vê as três pontas, a cobra e o cálice, o leão francês, o "cavalinho rampante", o tridente sagrado, o Búfalo. Não é todo ano mas é de dois em dois. O salão do automóvel está ocorrendo em São Paulo capital no centro de eventos Anhembi, do dia 21 ao 31 de outubro. A visita é longa e prazeirosa, pra quem gosta.
Por ser um sábado, esperava-se já uma imensa fila. Por ser sábado de treino da Fórmula-1, então, as expectativas eram de um movimento caótico, do começo ao fim. E tal foram. À entrada estavam uns 1000 pagantes - por R$20,00 , ninguém espera seleção de clientela - já ao meio-dia, esperando a abertura das portas e do mundo automobilístico do primeiro escalão ao alcance do olhar.
Já na entrada, a Honda exibe suas motos e abre espaço pro setor de tuning, mercado que tanto cresce desde o sucesso de "velozes e furiosos" e sua continuação. DVD's, PlayStations, praticamente quartos de hotel dentro de carros que por fora são quase irreconhecíveis. Motorização avivada pela injeção do poderoso NOS (nitrous oxyde systems), que nada mais é que óxido nitroso; spoilers, saias e acessórios em todos os lugares. O som é ensurdecedor e, o pior, varia de trance à axé, sem passar por nada audível.
Ao cruzar o corredor, percebemos de longe os símbolos das "quatro grandes", que detinham os maiores stands. A Chevrolet pecou ao disponibilizar seus carros em um segundo pavimento, liberando a entrada de 100 pessoas por vez e limitando assim a entrada de muitos - fui um a ficar de fora. A Fiat exibia Stilos, Palios e coisas do gênero, sem expressão. A VolksWagen abriu o maior stand da feira, chamando poucas atenções pro lançamento do ano CrossFox e enchendo o espaço de gols, passats e, felizmente, um Toareg pra salvar o dia. A Ford foi a grande campeã deste rol, exibindo além de suas maravilhosas Explorer e Escape, os American Muscle GT40 e Mustang Cobra GT. Ambos me tiraram uns 20 minutos de observação.
As japonesas, como sempre, estavam lá. Mitsubishi tinha os EVOVIII e os L200Sport. Hyundai e Subarí se juntaram e não conseguiram nada de bom. Até a SSangYoung (sul-coreana) tinha mais atrativos. A Nissan, para sua sorte, tinha seu todo-poderoso 350Z, nas versões ultra-tuning e standard. A Kia, coitada, apresentou a Sportage e uma série de vans e camionetes.
Toyota e Honda merecem destaque. A primeira trouxe infinitos Corollas, mas salvou-se com seu Híbrido prius - o ecologicamente correto - e seu conceito PM, que é mais um robô ultra tecnológico que um carro. A honda, por sua vez, trouxe mais Fits que já vi nas ruas. Ao menos havia um Accord - lindo - e um BAR.
Os europeus de luxo - ah, os europeus de luxo. A Audi trouxe o novo A6 e agradou. Seu roadster TT veio em uma versão tunada e exagerada. A grande atração foi o Audi Le Mans, já esperado mas louvado de qualquer maneira. A BMW fez sucesso com as novas 760 e 545, mas não com seu lançamento 140. Uma pena, pois o carro é bonitinho e harmônico. Os Volvo vieram em seu jeito sério e quase monótono de ser, mas a esportividade foi bem explorada desta vez. V70 e S40 na versão R - sport - trouxeram cor ao stand. Os jaguar atraíram muita gente, mesmo com poucos carros. Nada de surpresas na inglesa que se juntou à Ford e paga caro por isso.
Agora, a rendição. Ao contrário do que esperava, a Mercedes-Benz não só foi a grande atração, mas teve o stand de mais beleza. A CLS atraiu pequenas multidões, enquanto os já consagrados E500 e S500 exibiam a imponência alemã de sempre. O grande show da noite foi a apresentação da incrível SLR, o esportivo denominado "incomparável" com razão. Em 5 show diários, as apresentações atraíram uma multidão imensa, constituída basicamente de desentendidos. Os poucos que sabiam do assunto ficaram estupefatos, concordando com a denominação da mais nova flecha prateada de sucesso.
A Ferrari e a Maserati de juntaram em um stand grande. Quatroporte e Grand Sport de um lado; Scaglietti, Modena e Stradale do outro. Sempre movimentados, afinal. Sucesso garantido.
Uma perfeita maneira de gastar-se um sábado. Cansativo e tumultuado, porém reluzente de tão perfeito. Dentro de dois anos, mais uma jornada.
Leonard Schmitz

1 Comments:
Pode crer, eu queria ter ido
Leo, eu quero a foto de um dos Maseratti ok? (tu tiro né?)
[]'s ae
...!
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